O Movimento Ideal


O corpo humano foi desenvolvido de forma que a mesma função possa ser realizada de uma grande variedade de formas. Por exemplo, para chutar uma bola ao gol, pode-se bater na bola com a parte interna do pé, com a parte externa, com o “bico” e até com o calcanhar. Isto pode ser feito com a perna direita ou esquerda. Pode-se aproximar da bola lenta ou rapidamente, em linha reta ou em curva. E todas estas formas de chute podem ser realizadas cada uma com uma infinidade de pequenas variações.

Então, o que é o movimento ideal?

O movimento ideal é aquele que gera o maior rendimento, ou o menor gasto energético para o mesmo desempenho. Mas não é só isso. Além de gerar um desempenho ótimo, o movimento ideal é aquele que gera mínimos riscos ao organismo. E, portanto, protege de lesões o aparelho locomotor e outros órgãos do corpo.

Como é o movimento ideal?

O movimento ideal é aquele realizado com uma postura que permite o máximo alinhamento articular, de modo que as forças transmitidas através das estruturas corporais sejam bem distribuídas, sem sobrecarga de pontos específicos.

O movimento ideal também deve contar com a contração dos músculos na intensidade e no momento corretos, para que as articulações permaneçam estáveis e que forças potencialmente danosas possam ser contidas apropriadamente.

Na prática, isso significa postura ereta, com ação muscular capaz de vencer eficientemente a gravidade (ou conferir estabilidade postural em nadadores) desde os membros inferiores até o tronco e cabeça. A partir daí, o movimento é executado de forma que o órgão efetor (extremidade que realiza efetivamente a ação) guia o movimento e vai da forma mais direta possível realizar seu objetivo. Por exemplo, um corredor deve ter por objetivo usar o pé para empurrar o chão para trás e se propulsionar para frente, ao mesmo tempo em que um nadador deve levar a mão para uma nova entrada na água e não o cotovelo ou o ombro. As demais articulações se comportam de forma a permitir esse tipo de atividade, configurando uma sequência de ativação muscular mais adequada, sendo que as articulações mais proximais (próximas ao eixo do corpo) têm ainda a função de garantir suporte e estabilidade para um movimento preciso das extremidades.

No entanto, o movimento que um indivíduo adota para determinada atividade depende de seu repertório de experiências motoras e até mesmo de suas características psicológicas, o que garante uma enorme variação entre as pessoas. Para um movimento ser realizado, pela primeira vez, da forma ideal, o indivíduo deve ter uma boa condição dos músculos necessários para a tarefa, ter experiência motora suficiente para saber usar esses músculos da melhor forma nos momentos adequados e ter conhecimento da melhor técnica. O que se observa, no entanto, são falhas em uma ou mais dessas condições citadas, e o indivíduo acaba desenvolvendo um jeito próprio para realizar a atividade. Mesmo com o refinamento da técnica em um próximo passo, as características próprias do movimento de cada atleta se mantêm e o desempenho é melhorado com base nesse movimento, podendo, porém, constituir pontos de sobrecarga ao aparelho locomotor.

Para identificar as inadequações que o afastam do movimento ideal, aumentando o risco de lesões e reduzindo o potencial de desempenho, contem com a AVALIAÇÃO DO GESTO ESPORTIVO RUN&CARE, Saúde em Movimento.

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