
Um dos palavrões com que os corredores frequentemente se deparam é a fascite plantar. Algumas vezes este palavrão aparece nas grafias fasceíte ou fasciite.
De tão comum na corrida, o que é a fascite não chega a ser um mistério para a população corredora e não faltam boas fontes de informação na internet.
Por isso, abordaremos menos “o que é” e mais “como ela ocorre”.
A fascite se manifesta com uma dor na região interna da planta do pé, próxima ao osso do calcanhar. Esta dor é mais intensa pela manhã, nos primeiros passos após sair da cama, e tende a melhorar com a movimentação ao longo do dia. Porém, maiores períodos em pé, caminhando ou correndo podem fazer a dor reaparecer. E isto atormenta muito o corredor, chegando a limitar treinos e provas.
Uma das principais causas de angústia do atleta com fascite vem da não compreensão do mecanismo causador da fascite e da dificuldade do tratamento.
Como mencionado no post anterior (lesões por overuse), o mecanismo básico deste tipo de lesão pode ser entendido pelo ditado “água mole em pedra dura…”. As fascites, tendinites, bursites… do atleta, não se pegam do ar. Você não pegou fascite, você não tem fascite, você está com fascite, desenvolveu uma fascite.
O que faz a fáscia plantar machucar é um estresse mecânico, alguma sobrecarga que esta estrutura vem sofrendo. Eliminado o estresse mecânico, o tecido se recupera e a fascite desaparece.
Mas se o estresse mecânico vem da corrida, devo parar de correr?
No período em que a dor está intensa é mesmo aconselhável dar um repouso à estrutura e diminuir ou mesmo parar a corrida, mas esta não é a solução que buscamos. Você não precisa procurar outro esporte e não precisa virar sedentário e perder todos os benefícios do esporte porque está com fascite plantar.
Um movimento adequado não gera sobrecarga na fáscia plantar, aliás, não gera sobrecarga significativa em nenhuma estrutura do aparelho locomotor, apenas trabalho muscular.
Por isso, para tratar a fascite, precisamos corrigir o movimento da corrida para que ele deixe de sobrecarregar a fáscia e você possa treinar bem, sem dor.
Mas qual é o movimento inadequado que causa a fascite?
Na corrida, a fáscia plantar é maximamente tensionada quando o peso do corpo é sustentado mais pela parte interna da ponta do pé (mais pelo dedão). Ou seja, a pronação do pé é um fator importante (veja o post “pronação”).
Esta tensão também é maior, quanto maior a carga que deve ser sustentada. Por isso, correr com maior deslocamento vertical (saltando) é uma das inadequações que podem aumentar o risco de fasciite. Outra falha importante e comum é o déficit na absorção inicial do impacto. Ele deve ser feito com o retropé (parte de trás do pé – calcanhar) e com o rolamento do pé até que a ponta do pé receba o peso do corpo. Não realizar este processo, ou abreviá-lo, vai gerar maior carga e maior tempo de sustentação da carga na ponta do pé e, conseqüentemente, maior sobrecarga na fáscia.
Obviamente, outros fatores contribuem e devem ser analisados em cada caso como o sobrepeso, uso de calçados inadequados, treinamento sem orientação de professores entre outros.







